A falcata é a espada dos antigos povos ibéricos, a mesma terra onde hoje ficam Portugal e Espanha. Surgiu por volta do século V a.C., provavelmente inspirada na kopis grega trazida pelo comércio no Mediterrâneo, mas os ferreiros ibéricos fizeram dela algo próprio: uma lâmina de um só gume, curva para a frente, com o peso concentrado na ponta, e um punho fechado muitas vezes em forma de cabeça de cavalo ou de ave.
A sua fama nasceu das guerras contra Cartago e Roma. Os autores antigos elogiaram o ferro ibérico, contando que os ferreiros enterravam as barras durante anos para deixar a ferrugem consumir as partes fracas, e que as espadas podiam dobrar-se e voltar à forma. Um golpe de falcata tinha fama de conseguir abrir um escudo, e os próprios romanos acabaram por copiar as espadas da Península.
Hoje, a falcata é um símbolo da resistência dos povos ibéricos e uma das espadas antigas mais admiradas pelos colecionadores. Continua a ser forjada por cuteleiros artesanais, incluindo em Palaçoulo, em Trás-os-Montes, onde ainda se fazem falcatas por encomenda. Mais de dois mil anos depois, a espada da Península continua viva nas mãos de quem trabalha o ferro.
FICHA TÉCNICA
Comprimento total
45–60 cm
Lâmina
35–50 cm, um só gume, curva para a frente
Material da lâmina
ferro forjado em camadas, com zonas de aço
Cabo
ferro, punho fechado em forma de cabeça de cavalo ou de ave, por vezes com incrustações de prata
Valores típicos: as peças históricas eram feitas à mão e variam de exemplar para exemplar.